Sobre a LAAD
Entidade estudantil sem fins lucrativos vinculada ao curso de Medicina e ao Núcleo de Pesquisa e Extensão da Faculdade Pitágoras de Medicina de Eunápolis.
Apresentação
A Liga Acadêmica de Anestesiologia e Dor nasce para formar médicos que dominem o uso racional de medicamentos, os fundamentos da anestesia e o cuidado integral à pessoa com dor. Ela acompanha a implantação do primeiro ambulatório de dor de Eunápolis e pretende ser o braço acadêmico desse serviço.
O projeto integra três áreas que se complementam na prática clínica. A farmacologia sustenta a prescrição segura; a anestesiologia ensina fisiologia aplicada, via aérea, sedação e analgesia perioperatória; a medicina da dor reúne ambas no manejo da dor aguda, crônica e oncológica.
A LAAD é fruto da reestruturação da antiga LAFADE, que concentrou a atuação da liga na anestesiologia e no cuidado da pessoa com dor, mantendo a farmacologia como base da formação.
Missão, visão e valores
Missão
Promover formação teórico-prática de excelência em farmacologia, anestesiologia e dor, produzindo conhecimento e levando cuidado à população do Extremo Sul da Bahia.
Visão
Ser, até o fim da terceira gestão, a liga de referência da faculdade e da região em produção científica, extensão e integração com a rede de saúde.
Valores
- Ética e humanização no cuidado à pessoa com dor
- Rigor científico e medicina baseada em evidências
- Uso racional de medicamentos e segurança do paciente
- Compromisso social com o SUS e a comunidade local
- Interdisciplinaridade com Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Psicologia
- Transparência na gestão e na prestação de contas
Relevância do tema
A dor crônica atinge quase metade dos brasileiros, e Eunápolis está prestes a ganhar seu primeiro serviço especializado para tratá-la.
A dor como problema de saúde pública
A maior revisão sistemática sobre o tema no país reuniu 35 estudos e encontrou prevalência média de dor crônica de 45,59%, com variação de 23,02% a 76,17% (Aguiar et al., 2021). A condição predomina em mulheres adultas e idosas, e a região lombar é a localização mais frequente.
A mesma revisão encontrou 14,5% de dor neuropática e 12,5% de dor nociplástica nos estudos que avaliaram mecanismos. Esses tipos exigem raciocínio farmacológico específico, com antidepressivos, anticonvulsivantes e abordagem multimodal. Desde a CID-11, a dor crônica primária passou a ser classificada como doença, e não apenas como sintoma. Em 2020, a IASP revisou a definição de dor, incluindo sua dimensão emocional.
O contexto de Eunápolis e do Extremo Sul baiano
Eunápolis tinha 113.710 habitantes no Censo 2022 (IBGE Cidades) e é polo da região imediata Eunápolis–Porto Seguro. No interior, o acesso a especialistas em dor e a anestesiologistas é limitado, e muitos pacientes viajam a Salvador ou a outros centros. A implantação do primeiro ambulatório de dor do município muda esse cenário e cria um campo de prática inédito para a faculdade.
Não há, até o momento, levantamento epidemiológico sobre dor crônica no Extremo Sul da Bahia. Essa lacuna é uma oportunidade direta para a linha de pesquisa da liga.
Por que reunir farmacologia, anestesiologia e dor
- Farmacologia. A prescrição inadequada de analgésicos, AINEs, opioides e benzodiazepínicos causa eventos adversos evitáveis, sobretudo em idosos polimedicados.
- Anestesiologia. Ensina fisiologia aplicada, controle de via aérea, sedação, bloqueios regionais e analgesia perioperatória, competências úteis a qualquer especialidade.
- Medicina da dor. Integra as duas áreas no manejo da dor aguda, crônica e oncológica, com foco interdisciplinar e na funcionalidade do paciente.
Lacuna na formação médica
O ensino de dor costuma ser fragmentado entre disciplinas, com pouca carga horária dedicada. A liga complementa o currículo com conteúdo estruturado, prática supervisionada e pesquisa aplicada, em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Medicina, que valorizam a integração ensino-serviço-comunidade.
Objetivos
Objetivo geral. Aprofundar a formação dos estudantes de Medicina em farmacologia clínica, anestesiologia e medicina da dor, por meio de atividades integradas de ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para a qualificação do cuidado à pessoa com dor em Eunápolis e no Extremo Sul da Bahia.
Ensino
- Oferecer ciclo anual de aulas teóricas e práticas sobre farmacologia aplicada, anestesia e dor.
- Desenvolver habilidades em avaliação da dor, prescrição analgésica segura e raciocínio clínico.
- Treinar procedimentos básicos em ambiente simulado: via aérea, acesso venoso e noções de bloqueios.
- Garantir vivência supervisionada na APS, no ambulatório de dor e no centro cirúrgico.
Pesquisa
- Produzir conhecimento sobre o perfil da dor crônica no município e na região.
- Submeter ao menos 6 trabalhos a congressos e 2 artigos a periódicos por gestão.
- Formar membros em metodologia científica, ética em pesquisa e escrita acadêmica.
Extensão
- Levar educação em saúde sobre dor e uso seguro de medicamentos à comunidade.
- Apoiar a implantação e a divulgação do ambulatório de dor junto à população e à rede.
- Capacitar agentes comunitários e profissionais da APS na identificação e no encaminhamento da dor crônica.
Gestão e institucional
- Manter governança transparente, com prestação de contas pública e sustentabilidade financeira.
- Consolidar parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde, hospitais e sociedades de especialidade.
- Tornar a liga referência regional em eventos e produção científica na área.
Identificação institucional
| Item | Descrição |
|---|---|
| Instituição | Faculdade Pitágoras de Medicina de Eunápolis, Bahia |
| Vínculo institucional | Coordenação do Curso de Medicina e Núcleo de Pesquisa e Extensão |
| Área do conhecimento | Ciências da Saúde, Medicina (Farmacologia, Anestesiologia, Medicina da Dor) |
| Cenários de prática | Atenção Primária à Saúde de Eunápolis, Ambulatório de Dor do município e centro cirúrgico conveniado |
| Público-alvo | Estudantes de Medicina do 2º ao 8º período e comunidade do Extremo Sul da Bahia |
| Vigência | Gestão anual (12 meses), renovável mediante relatório aprovado |
| Carga horária anual estimada | 200 horas por membro efetivo (teoria, prática, pesquisa e extensão) |
Resultados esperados
Ao fim da primeira gestão, a liga deve estar consolidada como braço acadêmico do ambulatório de dor, com a primeira produção científica sobre o tema na região.
Para os estudantes
- Domínio de escalas de dor, prescrição analgésica segura e manejo de opioides.
- Familiaridade com o ambiente cirúrgico, a avaliação pré-anestésica e a via aérea básica.
- Currículo fortalecido com trabalhos científicos, certificados e experiência em extensão.
- Desenvolvimento de liderança, comunicação e trabalho em equipe.
Para a comunidade e o SUS
- População mais informada sobre dor crônica, automedicação e acesso ao ambulatório.
- Profissionais da APS mais aptos a identificar e encaminhar a dor crônica.
- Primeiros dados epidemiológicos sobre dor em Eunápolis, úteis ao planejamento municipal.
Para a faculdade
- Integração ensino-serviço-comunidade com um serviço inédito no município.
- Aumento da produção científica institucional e da visibilidade regional.
- Modelo de liga replicável, com regimento, finanças e comunicação organizados.
Médio prazo (três gestões)
- Simpósio regional consolidado no calendário do Extremo Sul baiano.
- Banco de dados do ambulatório de dor alimentando pesquisas contínuas.
- Ao menos um artigo publicado por gestão em periódico indexado.
Ética e normas
A liga segue o Código de Ética do Estudante de Medicina, as normas da faculdade para ligas acadêmicas e a legislação de pesquisa com seres humanos.
- Pesquisa. Resoluções CNS nº 466/2012 e nº 510/2016, com submissão via Plataforma Brasil.
- Dados de pacientes. Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018); dados anonimizados e guardados em ambiente restrito.
- Prática. O estudante não prescreve, não realiza procedimentos sem supervisão direta e não assina documentos médicos.
- Conflito de interesse. Palestrantes declaram vínculos com a indústria no início de cada aula.
- Regimento interno. O projeto pedagógico é complementado pelo Estatuto e Regimento da liga, que detalham eleições, mandatos e alterações.
Referências
- AGUIAR, D. P. et al. Prevalência de dor crônica no Brasil: revisão sistemática. BrJP, v. 4, n. 3, p. 257-267, 2021.
- IBGE. Cidades e Estados: Eunápolis (BA). Censo Demográfico 2022.
- DESANTANA, J. M. et al. Definição de dor revisada após quatro décadas. BrJP, v. 3, n. 3, p. 197-198, 2020.
- TREEDE, R. D. et al. A classification of chronic pain for ICD-11. Pain, v. 156, n. 6, p. 1003-1007, 2015.
- BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CES nº 3/2014: Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina.
- BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466/2012.
- BRASIL. Lei nº 13.709/2018 (LGPD).
