Ensino, pesquisa e extensão
Os projetos acadêmicos, as atividades científicas, as ações extensionistas e as iniciativas assistenciais da liga, incluindo o apoio à implantação do Ambulatório de Dor.
Ensino
O ensino ocorre em 20 encontros quinzenais de 2 horas por gestão, divididos em três módulos, além de oficinas práticas e clubes de revista. A carga teórica soma 40 horas.
Estratégias de ensino
- Aula dialogada com caso clínico. 60 minutos de exposição pelo convidado e 30 minutos de discussão de caso conduzida por um ligante.
- Aprendizagem baseada em problemas. Casos reais anonimizados do ambulatório de dor, discutidos em pequenos grupos.
- Simulação realística. Oficinas no laboratório de habilidades para via aérea, acesso venoso, monitorização e escalas de dor.
- Clube de revista mensal. Leitura crítica de um artigo recente, com apresentação de 15 minutos e checklist de avaliação metodológica.
- Sala de aula invertida. Material enviado com 7 dias de antecedência e quiz de 5 questões no início do encontro.
- Ligante-monitor. Membros veteranos preparam resumos e mapas mentais de cada aula para o acervo da liga.
Plano de aulas da gestão
| Nº | Tema | Objetivo de aprendizagem | Convidado sugerido |
|---|---|---|---|
| Abertura | |||
| 1 | Aula inaugural: o que é a medicina da dor e o papel do ambulatório de Eunápolis | Conhecer a liga, o serviço e o campo de atuação | Coordenador do ambulatório de dor |
| Módulo I · Farmacologia | |||
| 2 | Farmacocinética e farmacodinâmica aplicadas à prescrição | Ajustar doses por idade, função renal e hepática | Farmacologista |
| 3 | Neurofisiologia da dor: nocicepção, modulação e sensibilização | Explicar as vias da dor e os mecanismos de cronificação | Neurologista ou fisiologista |
| 4 | Analgésicos simples e AINEs: indicações e riscos | Prescrever com segurança gastrointestinal, renal e cardiovascular | Clínico ou farmacologista |
| 5 | Opioides: uso racional, conversão de doses e prevenção de dependência | Prescrever e desmamar opioides com segurança | Médico da dor |
| 6 | Adjuvantes: antidepressivos, gabapentinoides e relaxantes musculares | Escolher adjuvante pelo mecanismo da dor | Médico da dor |
| 7 | Polifarmácia, interações e desprescrição no idoso | Identificar interações graves e critérios de Beers | Geriatra |
| Módulo II · Anestesiologia | |||
| 8 | Avaliação pré-anestésica e classificação ASA | Realizar avaliação pré-operatória estruturada | Anestesiologista |
| 9 | Anestesia geral: fármacos indutores, bloqueadores neuromusculares e reversão | Descrever as fases da anestesia geral | Anestesiologista |
| 10 | Via aérea: avaliação, dispositivos e via aérea difícil (oficina) | Executar ventilação com bolsa-máscara e inserção de dispositivo supraglótico em manequim | Anestesiologista |
| 11 | Anestésicos locais, raquianestesia e peridural | Explicar indicações e reconhecer toxicidade sistêmica | Anestesiologista |
| 12 | Sedação fora do centro cirúrgico e segurança do paciente | Aplicar critérios de monitorização e alta | Anestesiologista |
| 13 | Analgesia pós-operatória multimodal e protocolos ERAS | Montar prescrição analgésica pós-operatória | Anestesiologista |
| Módulo III · Dor | |||
| 14 | Avaliação da pessoa com dor: escalas, DN4 e impacto funcional | Aplicar EVA, DN4 e Inventário Breve de Dor | Médico da dor |
| 15 | Dor lombar e cervical crônicas: sinais de alerta e manejo | Reconhecer bandeiras vermelhas e indicar tratamento | Ortopedista ou fisiatra |
| 16 | Dor neuropática: neuropatia diabética, neuralgia pós-herpética e do trigêmeo | Diagnosticar e tratar dor neuropática | Neurologista ou médico da dor |
| 17 | Fibromialgia e dor nociplástica | Entender o modelo nociplástico e o tratamento não farmacológico | Reumatologista |
| 18 | Dor oncológica e cuidados paliativos | Aplicar a escada analgésica e manejar dor episódica | Paliativista |
| 19 | Cefaleias primárias na APS | Diferenciar enxaqueca, tensional e cefaleia por uso excessivo de analgésicos | Neurologista |
| 20 | Abordagem interdisciplinar e procedimentos intervencionistas | Conhecer o papel de fisioterapia, psicologia e bloqueios | Equipe do ambulatório de dor |
Temas podem ser trocados conforme a disponibilidade dos convidados, mantendo o equilíbrio entre os três módulos.
Modelo de plano de aula
Cada encontro segue um plano padronizado, entregue ao convidado com 15 dias de antecedência.
- Identificação. Tema, data, convidado, ligante responsável e duração.
- Objetivos de aprendizagem. 2 a 3 objetivos com verbos mensuráveis.
- Pré-leitura. Um capítulo ou diretriz e um artigo, enviados 7 dias antes.
- Desenvolvimento. Quiz inicial (10 min), exposição (50 min), caso clínico (30 min) e síntese (10 min).
- Recursos. Projetor, manequins ou escalas impressas, quando aplicável.
- Avaliação. Quiz final de 5 questões e formulário de satisfação.
- Registro. Lista de presença, fotos autorizadas e resumo arquivado no acervo da liga.
Atividades complementares
- Oficinas práticas (4 por gestão). Via aérea, acesso venoso periférico, escalas e exame físico da dor, prescrição segura.
- Simpósio anual. Evento aberto com palestras, mesa-redonda e apresentação de trabalhos.
- Curso de férias. Módulo intensivo de 8 horas sobre prescrição analgésica para estudantes de outras ligas e períodos.
Práticas supervisionadas
Cada membro efetivo cumpre ao menos 60 horas de prática por gestão, em rodízio pelos três cenários. Todo estágio é observacional ou de participação supervisionada, sem substituir profissional e sem atuação autônoma.
| Cenário | Atividades do ligante | Supervisão | Turno e vagas | Carga mínima |
|---|---|---|---|---|
| Atenção Primária (UBS e USF de Eunápolis) | Rastreio de dor crônica, aplicação de escalas, revisão de prescrições de analgésicos, apoio a grupos de educação em saúde | Médico(a) de família da unidade | 1 turno por semana, 2 ligantes por unidade | 20 h |
| Ambulatório de Dor do município | Acolhimento, anamnese dirigida, aplicação de EVA, DN4 e Inventário Breve de Dor, acompanhamento de consultas e procedimentos | Médico(a) da dor ou anestesiologista do serviço | 1 a 2 turnos por semana, 2 ligantes por turno | 24 h |
| Centro cirúrgico conveniado | Acompanhamento de avaliação pré-anestésica, indução, monitorização, recuperação pós-anestésica e analgesia pós-operatória | Anestesiologista plantonista | Conforme escala do serviço, 1 ligante por sala | 16 h |
Vagas e turnos dependem dos termos firmados com cada serviço e serão ajustados após a assinatura dos convênios.
Regras do rodízio
- A Diretoria de Estágios publica a escala mensal até o dia 25 do mês anterior.
- A distribuição prioriza o período do estudante: do 2º ao 4º período começa pela APS; do 5º período em diante tem prioridade no centro cirúrgico.
- Trocas são permitidas entre ligantes, com aviso à diretoria em até 48 horas.
- Ausência sem aviso gera as penalidades previstas no regimento.
- Cada turno é registrado em ficha de frequência assinada pelo preceptor.
Pré-requisitos e conduta
- Cartão vacinal atualizado (hepatite B, tétano, influenza e COVID-19).
- Treinamento prévio de biossegurança e de paramentação para o centro cirúrgico, ministrado pela liga antes do primeiro turno.
- Jaleco, crachá de identificação da liga e pijama cirúrgico quando exigido.
- Sigilo absoluto: é proibido fotografar pacientes, prontuários ou telas de monitores.
- Consentimento verbal do paciente antes de qualquer participação na consulta.
Contrapartida aos serviços
A liga oferece aos serviços parceiros apoio na triagem e no registro de dados do ambulatório, materiais educativos para pacientes e capacitações para as equipes da APS, fortalecendo o convênio e a continuidade do campo de prática.
Pesquisa
Três linhas de pesquisa registradas no Núcleo de Pesquisa e Extensão, com projetos aprovados em Comitê de Ética em Pesquisa antes de qualquer coleta. A meta da primeira gestão é ter 4 projetos ativos e 6 resumos submetidos.
Linhas de pesquisa
- Epidemiologia da dor no Extremo Sul da Bahia. Prevalência, perfil clínico e impacto funcional da dor crônica.
- Farmacologia clínica e segurança do paciente. Padrões de prescrição de analgésicos, uso de opioides e polifarmácia.
- Anestesia e dor aguda perioperatória. Qualidade da analgesia pós-operatória e desfechos em serviços da região.
Projetos propostos
| Projeto | Linha | Desenho | Cenário | Produto esperado |
|---|---|---|---|---|
| Perfil clínico-epidemiológico dos pacientes do primeiro ambulatório de dor de Eunápolis | 1 | Transversal, com coleta em prontuário e escalas | Ambulatório de Dor | Artigo e banco de dados permanente do serviço |
| Prevalência de dor crônica em usuários da APS de Eunápolis | 1 | Transversal com amostragem por unidade | UBS e USF | Artigo e relatório à Secretaria de Saúde |
| Prescrição de analgésicos e opioides na APS: adequação e riscos | 2 | Transversal, análise de prescrições | UBS e farmácia municipal | Resumo em congresso e nota técnica |
| Polifarmácia e uso de AINEs em idosos com dor crônica | 2 | Transversal | APS e ambulatório | Resumo e artigo |
| Dor pós-operatória e satisfação com a analgesia | 3 | Coorte prospectiva curta (24 a 48 h) | Centro cirúrgico conveniado | Artigo e proposta de protocolo |
| Conhecimento de estudantes de Medicina sobre manejo da dor | 3 | Transversal com questionário validado | Faculdade | Resumo e artigo de educação médica |
| Revisões sistemáticas e relatos de caso | Todas | Revisão com protocolo PROSPERO; relato com TCLE | Todos | Artigos e resumos |
Fluxo de um projeto
- Ideia apresentada em reunião científica e aprovada pela Diretoria de Pesquisa.
- Escolha de orientador docente e montagem da equipe (3 a 5 ligantes).
- Elaboração do projeto e cadastro no Núcleo de Pesquisa e Extensão.
- Submissão à Plataforma Brasil e aprovação no CEP.
- Coleta, análise e redação, com reuniões quinzenais de acompanhamento.
- Submissão a congresso ou periódico e prestação de contas ao Núcleo.
Formação científica dos membros
- Minicurso de metodologia científica no primeiro mês da gestão: pergunta de pesquisa, desenho de estudo, ética e estatística básica.
- Oficinas de ferramentas: busca em PubMed, BVS e SciELO, gerenciadores de referência e redação de resumo.
- Banco de modelos de projetos, TCLE e fichas de coleta no acervo da liga.
Extensão
A extensão leva o conhecimento da liga à comunidade de Eunápolis e cidades vizinhas, com cinco projetos permanentes registrados no Núcleo de Pesquisa e Extensão e a meta de alcançar ao menos 1.500 pessoas por gestão.
| Projeto | Público | Ações | Frequência | Indicador |
|---|---|---|---|---|
| Dor Tem Cuidado | Usuários da APS e do ambulatório | Rodas de conversa sobre dor crônica, exercícios, sono e autocuidado; cartilha educativa | Mensal | Pessoas atendidas e cartilhas distribuídas |
| Remédio Certo | Idosos, cuidadores e grupos de hipertensos e diabéticos | Revisão de sacolas de medicamentos (com farmacêutico), orientação sobre automedicação e uso de AINEs | Bimestral | Interações e riscos identificados e encaminhados |
| Capacita APS | Agentes comunitários, enfermeiros e médicos da APS | Oficinas sobre triagem de dor crônica, escalas e fluxo de encaminhamento ao ambulatório | Semestral | Profissionais capacitados e encaminhamentos adequados |
| Liga nas Escolas | Estudantes do ensino médio | Primeiros socorros, uso seguro de medicamentos e prevenção de dor postural | Semestral | Escolas e alunos alcançados |
| Mutirão da Dor | Comunidade geral | Ações em praças e feiras com aferição de pressão, escalas de dor e orientação de acesso ao ambulatório | 2 por gestão | Pessoas rastreadas e orientadas |
Campanhas do calendário de saúde
- Campanha anual de conscientização sobre a dor. Ação de rua e simpósio na data definida pela SBED e pela IASP para o tema do ano.
- 16 de outubro, Dia Mundial da Anestesia. Divulgação sobre segurança anestésica e o papel do anestesiologista.
- Campanha de uso racional de medicamentos. Orientação contra automedicação e uso prolongado de AINEs e opioides.
- Setembro Amarelo. Dor crônica e saúde mental, em parceria com a liga de psiquiatria.
Regras para as ações
- Toda ação tem docente ou profissional responsável presente.
- Nenhuma ação inclui prescrição ou procedimento realizado por estudante.
- Imagens de participantes só com termo de autorização de uso de imagem.
- Relatório de cada ação entregue ao Núcleo em até 15 dias, com público, fotos e lista de presença.
Ambulatório de Dor
A LAAD acompanha a implantação do primeiro ambulatório de dor de Eunápolis e pretende ser o braço acadêmico desse serviço.
Na fase de implantação, a liga pode apoiar o serviço na criação de material de orientação ao paciente, no desenho da ficha de primeira consulta e na divulgação do fluxo de acesso à rede. Toda atuação depende de pactuação com a coordenação do ambulatório e a Secretaria Municipal de Saúde.
O ambulatório é também cenário de prática supervisionada e de pesquisa: o projeto de perfil clínico-epidemiológico dos pacientes pretende formar um banco de dados permanente do serviço, útil ao planejamento municipal e a pesquisas contínuas.
Projetos em andamento
Projetos aprovados e em execução, publicados pela diretoria com responsáveis e situação atualizada.
Carregando projetos…
Indicadores da liga
A liga é avaliada por indicadores de ensino, pesquisa, extensão e gestão, apresentados no relatório anual.
| Eixo | Indicador | Meta por gestão |
|---|---|---|
| Ensino | Aulas realizadas | 20 |
| Ensino | Frequência média nas aulas | ≥ 80% |
| Ensino | Satisfação média com as aulas | ≥ 4,5 de 5 |
| Prática | Horas de estágio por membro | ≥ 60 h |
| Pesquisa | Projetos aprovados no CEP | ≥ 3 |
| Pesquisa | Resumos aprovados em congressos | ≥ 6 |
| Pesquisa | Artigos submetidos | ≥ 2 |
| Extensão | Pessoas alcançadas | ≥ 1.500 |
| Extensão | Profissionais da APS capacitados | ≥ 50 |
| Gestão | Reserva de caixa ao fim da gestão | ≥ 15% da receita |
| Comunicação | Seguidores no Instagram | ≥ 2.000 |
